A FORMA PURA DO DESEJO
A FORMA PURA DO DESEJO -- Ensaio sobre autoria, excesso e transmutação erótica a partir de «O Beijo» de João de Almeida Santos André Moshé Veríssimo PhD Professor, Investigador e Consultor Universitário UEMG / USAK / USC / Fudan University Ipsis litteris. Nihil varietur. PARTE I I. O beijo que não foi dado: leitura de «O Beijo» e da prancha homónima O poema «O Beijo» e a prancha que o acompanha, ambos de João de Almeida Santos (6 de Julho de 2026), surgem no preciso dia em que se celebra o «Dia Internacional do Beijo». Não é coincidência. A obra não se limita a celebrar uma data; ela transforma a ausência do beijo físico numa presença elaborada através da palavra e da imagem. O que nunca foi dado com a boca é oferecido com o olhar, com as palavras e, finalmente, com a pintura. Esta transmutação do não-dado em forma estética constitui o núcleo da obra e permite uma leitura que articula, de modo indissociável, o erótico, o simbólico, o psicanalítico e o estético. O poema abre com u...